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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Comfort Food



Sabe quando você sente aquele cheiro de bife fritando ou do cheiro de feijão com bacon cozinhando e se lembra da sua mãe, da sua avó ou de alguma lembrança boa? Esse tipo de comida que te faz ficar nostálgico tem nome! É a comfort food. A única regra pra classificar um prato nesse termo é o bem psicológico que ele traz, fora isso a classificação é bem individual.
Pra mim, mingau, feijão com arroz, sopa de feijão, macarrão e molho de tomates caseiros, pão caseiro, canja de galinha, bolo de fubá, pudim de leite condensado, geléia de jabuticaba e uma marca de sanduíche natural específica vendida em conveniências são comfort foods pra mim.
 Quando penso em cada uma dessas comidas tenho lembranças que são como um abraço. Elas matam minha fome emocional.
 Há quem defenda que comfort food é necessariamente comida caseira, há quem diga que não.
Claro que a maioria que eu citei são caseiras, mas o sanduíche que listei traz lembranças especiais pra mim da época que minha mãe trabalhava até tarde, eu ficava acordada esperando ela chegar e ela me trazia esses sanduíches.
 Apesar de ser um termo pouco conhecido ele existe já desde os anos 70 e há diversos estudos citando-o.
As comfort foods são acusadas de serem uma das dificuldades ao emagrecimento já que passar pelo processo de emagrecer é um período tão estressante que a gente acaba buscando nelas um alento.
 Acredito que, como tudo na vida, não deve ser consumida exageradamente porque pode ser prejudicial, mas é uma delícia e muito difícil de resistir.
Eu inclusive tô indo pra casa da minha mãe hoje e tudo o que eu quero é comer um prato de arroz e feijão.
  Um exemplo de uma chef que gosta bastante de cozinhar comfort food no seu programa de tv é a Nigella Lawson.
E a sua comfort food favorita, qual é?
Sol Caldeira: Minha comfort food mais marcante é o pão com mortadela com Etubaína Orlando que comia e tomava na casa de minha avó paterna, e a macarronada de todo domingo!
Sou extremamente influenciada pela comfort food e esse é o caminho que sigo. Consegui levar um pouco desse estilo para São Paulo aplicando no Tubaína Bar e desde então é o que mais gosto de trabalhar. Não há melhor comida que da mãe, da avó, das tias, da família....e muito raro um Chef conseguir reproduzir o que está dentro de você. Essa é a beleza e chegar perto já é uma satisfação.
 
Compartilhe suas experiências conosco!

Disponível: http://www.mepassaocardapio.com/2011/02/comfort-food.html  

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Moela ao molho de maracujá!

São Paulo 2010, atuando como Chef de Cozinha no Tubaína Bar, a vida era corrida e estressante, mas de tempos em tempos conseguia dar uma escapada rápida para visitar a família e descansar em Piracicaba.
Em uma dessas visitas fui à casa de minha mãe para matar as saudades e batendo papo, ela me conta que tinha feito uma moela com molho de ma racujá e para surpresa dela tinha ficado muito boa. Achei a ideia incrível e a questionei sobre a receita. Ela riu, e disse que só tinha a moela em casa e um pouco de suco concentrado de maracujá, então resolveu cozinhá-la no suco. Gostei tanto que pedi para repetirmos a receita no dia seguinte. Convidei uma querida amiga e realizamos uma degustação.
Enquanto estávamos refogando a moela, comecei a fuçar e procurar temperos e mais ingredientes que pudessem dar mais um toque ao prato e encontrei gengibre, pimenta calabresa e fui adicionando até uma ardência de acordo com nosso paladar. E funcionou, o prato ficou maravilhoso, a moela macia, molho cremoso e picante. Degustamos com pão e cerveja.
  De volta a São Paulo comentei com minha chefe, na época, sobre a receita, ela adorou a novidade, mas estávamos muito atarefados na época e guardamos a idéia para um momento mais apropriado. E o universo providenciou! Para nossa surpresa, o Tubaína Bar naquele ano foi convidado para realizar um workshop para o evento da revista Prazeres da Mesa, com o tema de comida de boteco e o conceito de sustentabilidade. Foi então, que a receita da moela se encaixou perfeitamente. Estavámos com um ingrediente discrimado e de difícil aceitação que se encaixava no conceito de uso sustentável de alimento e que funcionava muito bem como petisco de boteco acompanhado de cerveja.
Era minha primeira experiência em um workshop de tamanha responsabilidade e me sentia muito nervosa e ansiosa. Recebi as orientações corretas e me preparei para a aula. Estava escalada para o último workshop do dia. Comecei as 22hs, e nem sabia se teria ouvintes. E, tive uma surpresa agradável, sete pessoas maravilhosas estavam o dia todo no evento, aguardando justamente o workshop da moela, algo que já me realizou! Consegui relaxar e a apresentação foi um sucesso! Com o interesse e interação dos ouvintes, uma satisfação! Sou muito grata aos que participaram.
Para uma apresentação mais bonita do prato, adicionei poucas folhas de alecrim e um toque de pimenta rosa. O prato foi levado para foto para concorrer para capa, o que, eu não estava informada e me surpreendeu. Não ganhamos a capa, afinal na disputa estavam Chefs de renome, mas finalizei meu trabalho realizada. Desde então, a moela entrou para o cardápio do Tubaína Bar e virou marca registrada de criação minha e de minha mãe.