quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Comida é um quadro a se pintar!

Uma Reflexão

              Segundo DaMatta, “... nem tudo que é alimento é comida. Alimento é tudo aquilo que pode ser ingerido para manter a pessoa viva; comida é tudo que se come com prazer. O alimento é a moldura; mas a comida é o quadro”.
 E o que gera o prazer gera a união. União por vários motivos, familiares, de trabalho, amorosos, entre outros.
 Nas reuniões familiares, estas sempre mais divertidas, podemos observar uma cultura bem brasileira onde tias, tios, avós, avôs, pais e mães que adoram cozinhar ou tem o dom de fazê-lo podem exercitar esse poder de se doar através da comida e são nesses momentos especiais que o orgulho de seu feito é posto a prova. Para eles a satisfação é garantida, pode ter certeza, com um elogio, um ato de carinho.
 Carinho, afeto, harmonia e conforto, todos os atributos que a comida gera nesses encontros.  Estão presentes, os aromas, o aconchego, a fartura, as sensações e percepções da união causada pela comida, cercados pelas pessoas amadas e amigas.
Vamos pintar o quadro?
Referência:
"O que é o Brasil"
DAMATTA, Roberto. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Músicas para cozinhar - Parte 2

Mais um set de música maravilhoso para se escutar cozinhando!!!Esse especialmente com músicas brasileiras que nos remete a nostalgia.....imperdível!!!É só fazer o download e se deliciar.



By DJ Peri Zorzella

Receita: Bolinho de Cuscuz

  Bolinho de cuscuz de frango recheado com queijo meia cura

1- Caldo de frango

Ingredientes:
1 peito de frango sem pele, 1 cenoura, 1 talo de salsão, 2 cebolas, 2 dentes de alho, 2 folhas de louro, talos de salsinha, 2 colheres de sopa de óleo.

Modo de preparo:

- Lavar o peito de frango em água e vinagre, retirar a pele, se preferir, e reservar;
- Enquanto isso colocar uns 2litros de água em uma panela e ferver;
- Lavar os legumes (cenoura, salsão, cebolas) e os talos de salsinha, picá-los grosseiramente, pedaços médios;
- Em uma colher de sopa de óleo, refogue a cenoura, o salsão, as cebolas, as folhas de louro e os dentes de alho. Assim que a cebola murchar e dourar levemente, colocar o peito de frango, em seguida os talos de salsinha;
- Coloque a água que já esta quente e cubra o peito de frango. Deixe cozinhar em fogo médio até o frango estar cozido e macio;
- Retirar o peito de frango, desfiar e reservar;
- Peneirar o caldo e reservar;
- Se for de interesse, utilizar os legumes cozidos em outro prato, como uma torta, ou um arroz primavera. O que a criatividade mandar!

2- Molho de cuscuz

Ingredientes:
Frango desfiado (aquele cozido anteriormente), quantidade de 1 lata de ervilha (pode-se optar por ervilhas frescas ou congeladas), milho (opcional), 4 a 5 unids. de palmito picado, 3 tomates picado em cubo e sem sementes, 1 unid. de pimentão vermelho sem sementes picado em cubos, 1 cebola picada em cubos, 2 dentes de alho picados em cubos pequenos, 1 ou 2 pimentas dedos-de-moça sem sementes picadas em cubinhos (opcional e a gosto), 200g de molho de tomate, azeitona a gosto.

Modo de preparo:
- Refogar o alho e a cebola, em azeite ou óleo, até murchar, acrescentar o pimentão e tomate picado e deixar amolecer até formar um molhinho;
- Acrescentar o frango desfiado, misturar e salgar levemente;
- Acrescentar o resto dos ingredientes;
- Acrescentar o molho de tomate e cobrir tudo com o caldo de frango reservado;
  Acertar o sal a gosto.

3- Engrossar o molho 

Ingredientes:
Farinha de milho amarela ou branca, o quanto baste.

Modo de preparo:
- Coloque em uma tigela, aproximadamente, 300 a 400g de farinha.
   Se necessário acrescentar ou diminuir a farinha;
- Acrescente um pouco de caldo só para umedecer e comece a esfarelar a farinha com a mão até ela    ficar solta, fofa e úmida, nesse momento pode-se acrescentar cheiro verde picado na farinha;  
- Com o molho de cuscuz na panela e em fogo baixo, vá acrescentando a farinha e vá mexendo sem parar até ela engrossar e começar a desgrudar do fundo da panela. Essa é a consistência para o bolinho de cuscuz;  
- Coloque em um recipiente para esfriar e cubra com filme plástico para não formar uma crosta em cima;
- No caso do cuscuz mole é só controlar a quantidade de farinha até ficar com uma consistência mole para se comer de colher. Lembrem-se de servir quente.

4- O Bolinho de cuscuz

Ingredientes:
O cuscuz pronto e frio, queijo meia-cura ralado fino, leite, 1 ovo, farinha de trigo, farinha de rosca e óleo para fritura. 

Modo de preparo:
- Separar os ingredientes em tigelas, exceto o óleo;
- Colocar o óleo em uma panela para fritar o bolinho em imersão;
- Com uma colher de sopa de cuscuz começar a formar bolinhos, fazer um furo no meio, rechear com o queijo, fechar e terminar de enrolar até virar um bolinho redondo. E assim seguidamente. Se começar a grudar use óleo para untar as mãos;
- Passar na farinha de trigo, em seguida no leite e o ovo e por último na farinha de rosca;
- Esquentar o óleo e fritar. Secar em papel toalha e servir.

Bom apetite!!!

Deixe seu comentário.
Sol Caldeira

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cuscuz Paulista X Cuscuz Mole


“A culinária paulista, com influência portuguesa, indígena e negra, é rica, variada e saborosa. Em alguns aspectos, toca de leve a culinária mineira (afinal somos vizinhos). Tem temperos cheirosos, emprega muito a mandioca, o milho, o cará e o fubá.” (RAMOS, 1996:5).
O assunto da vez é o tradicionalíssimo cuscuz paulista e sua versão caipira, o cuscuz mole (de festas juninas e quermesses).
O cuscuz paulista, praticamente, dispensa apresentação, sendo um dos pratos mais conhecidos da culinária paulista e, de acordo com a tradição, é feito no cuscuzeiro de bafo até ficar firme (duro), sendo que, diferentemente do que se pensa o milho em grão não está entre seus ingredientes e sim a ervilha, sendo também acrescentada ao mesmo a sardinha. Come-se frio. É o que diz a tradição. Há que se considerar, entretanto, que cada família tem a sua forma de preparo e não há nada de errado nisso.
“O cuscuzeiro de bafo permite que o alimento cozinhe no vapor. Caso você não disponha de um, prepare o cuscuz do modo tradicional, passe-o para uma forma comum, tampe-a e leve-a ao fogo, em banho-maria. Pra servir vire a forma em uma travessa.” (RAMOS, 1996:21). 
A diferença para o cuscuz mole é que, como o próprio nome diz, o cuscuz é mole e é servido quente. Geralmente é preparado com frango desfiado e servido em copos de plástico e se come com uma colher. Reina nas festas juninas e  quermesses do interior, principalmente na região de Piracicaba, onde é típico.
Há controvérsias em relação ao uso da farinha de milho branca e a amarela, sendo a amarela a mais utilizada. Segundo Orlando Louvandini, conhecido pelo preparo do cuscuz mole nas Festas do Divino de Piracicaba por anos a fio, o cuscuz se faz com farinha de milho branca, preparada de maneira própria, sendo que ele segue uma receita tradicional de mais de 100 anos, originada de uma família africana.  
Dica da Chef:  Bolinho de cuscuz de frango recheado com queijo meia cura.
Referência:
 "A Cozinha Paulista"
Ramos, Regina Helena de Paiva. São Paulo: Melhoramentos, 1996. 

 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Dificuldades na Gastronomia

Opinião
Uma das maiores dificuldades que encontramos no setor de A&B (alimentos e bebidas), no meu caso, a cozinha, é a mão-de-obra qualificada, a qual seria ocupada por aspirantes a cozinheiros, sem a oportunidade de se especializar em um curso gastronômico, e por estudantes de gastronomia. Os estudantes que pagam caro pela faculdade querem sair logo como Chefs e não é bem assim.
Em uma cozinha existe um trabalho hierárquico, começando com os lavadores, seguido pelos auxiliares de cozinha, pelo segundo cozinheiro, seguido do primeiro cozinheiro, subchefe e o Chef executivo. E claro, haverá mais cargos onde as estruturas são maiores.
 Aparecem dificuldades com os estudantes que, em sua maioria, se iludem com o lado glamouroso da profissão, a qual está muito ligada ao ego das pessoas. Os estudantes deparam-se com a realidade da profissão, na qual muitos não gostam de começar suas atividades como simples lavadores ou auxiliares, esquecendo-se da hierarquia que uma cozinha exige.
Com relação aos aspirantes a cozinheiros sem curso especializado, principalmente no início das atividades, topam tudo pela frente e muitas vezes até os mais dedicados dentre eles desistem quando percebem o trabalho intenso de uma cozinha. Por isso existe uma alta rotatividade de mão- de-obra no setor.
O ambiente em uma cozinha, em geral, é muito quente, são longas jornadas de trabalho, bem estressante, sob muita pressão dos chefs, sem descansos aos finais de semana, horários incomuns e os salários não condizentes com as atividades faz com que muitos desistam. Por outro lado, aqueles que estão dispostos a tudo e aceitam começar o trabalho como lavadores e irem subindo na carreira, são os que realmente pegam gosto pelo trabalho e, quando isso acontece, é muito gratificante porque é quase certeza que dali vai sair um bom cozinheiro ou chef. Além dessa questão da mão de obra, a qual exige uma boa seleção de candidatos que nem sempre é uma condição assertiva, existem inúmeras outras responsabilidades que uma cozinha profissional exige, como lidar com custos, lidar com fornecedores, aplicar as normas e regras que a lei exige, qualidade e padrão, tudo que uma boa gestão gastronômica necessita resolver, sendo muito importante e necessário um bom relacionamento entre o Chef de cozinha, e/ou responsável por ela, e o proprietário ou sócios.
Aproveito esse momento para homenagear todos àqueles que nunca desistiram, se apaixonaram pela profissão gastronômica e se dedicaram e se dedicam a ela com muito amor e esforço.

 
De acordo com Alexandra Forbes, colunista gastronômica da Folha de São Paulo, “Chefs nas listas dos melhores do mundo não chegam lá por acaso. Há que saber cozinhar e criar menus autorais com maestria, mas isso não basta. A verdade é que por trás de um nome que atinge fama e sucesso há um chef que maneja super bem mídia e outros relacionamentos, dá atenção quando realmente conta e, acima de tudo, esbanja carisma. O carisma move montanhas".
Sol Caldeira


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Notícia quente!


 Saiu no Estadão de ontem, dia 21/02/2013, “Comida estragada é encontrada no Copacabana Palace”, segundo a matéria no link: http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/comida-estragada-%C3%A9-encontrada-no-copacabana-palace

Opinião

Não poderia deixar de comentar algo tão grave como isso. Um hotel de alto padrão, sofisticado e conceituado como o Copacabana Palace é de se admirar que atitudes como essas ocorram.
Na verdade é inadmissível e aproveito para valorizar ainda mais a importância da gestão gastronômica em qualquer lugar, desde um trailer de rua a um dos hotéis mais caros do Brasil e reconhecidos internacionalmente.
Gastronomia não se mantém somente de Chefs de cozinha famosos, existe uma gestão e responsabilidade por trás de tudo que proporciona a estrutura para que esse Chef e o prato sejam reconhecidos. E justamente, para todo esse processo existem as leis regulamentadas para o estabelecimento seguir e, nesse caso é necessário firmeza e rigidez.
Fiquei muito surpresa com uma notícia dessas, mas saibam que é possível trabalhar da maneira mais correta e higiênica e satisfazer o cliente honestamente.

Sol Caldeira

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cozinha é doação!

Uma reflexão

Não sei explicar ao certo meu envolvimento com a cozinha, tento achar explicações em referências familiares, já tive bisavó cozinheira e dona de bar, já tive avô padeiro, e tenho mãe e tias com o dom de cozinhar. Pode estar nas veias, mas só fui descobrir minha vocação aos 24 anos, e foi “paixão à primeira vista”, me completou. Quem se envolve com a gastronomia compreende este sentimento.
 E desde então tudo na minha vida mudou, minhas escolhas pessoais e profissionais, fui atrás de um sonho não achando que era tarde demais, mas que ainda estava em tempo. Acreditei nessa paixão e nunca mais parei. Motiva-me e me move até hoje. Se envolver com cozinha profissional é algo muito intenso. Os resilientes* e apaixonados que vivenciam isso sabe a satisfação, prazer e loucura que é, e como nos domina.
Muitas vezes me sinto uma alquimista em meu laboratório, outras uma bruxa com seu caldeirão. A cozinha é mágica, cheia de energia, cheia de vida, tem calor, é afrodisíaca com todos seus sabores e aromas. 
 E repito: cozinha é doação!

*Significado de Resiliente
adj. Que apresenta resistência ao choque.
Referência:
Dicionário Aurélio