segunda-feira, 25 de março de 2013

"Um pequeno riacho não pode alcançar o oceano..."

“Um pequeno riacho não pode alcançar o oceano. Ele se perderá em algum lugar, está tão distante… Ele se perderá em algum deserto, em alguma terra árida. Mas se vários pequenos riachos se reunirem em um, tornam-se um Ganges. Então ele pode alcançar o oceano…”
Em julho de 1988, em plena ditadura do general Pinochet, 300 intelectuais e artistas participaram de “Chile Cria”, um encontro internacional de arte, ciência e cultura pela democracia no Chile. Em nome de todos os convidados, Eduardo Galeano leu o discurso de inauguração, reproduzido no livro Nós dizemos Não. Em contextos bem diversos, este texto ainda é bastante atual e diz muito sobre o que estamos criando em nossa comuna: “Dizemos não ao elogio do dinheiro e da morte. Dizemos não a um sistema que põe preço nas coisas e nas pessoas, onde quem mais tem é quem mais vale; (…) nós dizemos não a um sistema que nega comida e nega amor, que condena muitos à fome de comida e muitos mais à fome de abraços. Dizemos não à mentira. Essa cultura mentirosa que, grotescamente, especula com o amor humano para arrancar-lhe mais-valia. (…) Premiam a nossa obediência, castigam a nossa inteligência e desalentam a nossa energia criadora. Temos direito ao eco, não à voz, e os que mandam elogiam nosso talento de papagaios. Nós dizemos não: nós nos negamos a aceitar esta mediocridade como destino. Nós dizemos não ao medo. Não ao medo de dizer, ao medo de fazer, ao medo de ser.”
E dizendo não ao triste encanto do desencanto, dizemos sim ao que realmente importa: à vida, com todas as conseqüências de ter a coragem de seguir o que faz meu coração vibrar. Em 2013, seguiremos juntos e espero que, como declarou Charles Chaplin em “O Último Discurso”, a alma do homem ganhe asas e afinal comece a voar. E que todos “erguemos os olhos”!”

Por Kátia Marko 
Eduardo Galeano é jornalista e escritor uruguaio. Tive acesso ao seu trabalho através do livro, “De Pernas Pro Ar – A Escola Do Mundo ao Avesso”, uma síntese da realidade e verdades históricas, aquilo que você não aprende na escola.
Apesar de não estar indicando nenhum livro de receitas ainda...este é um autor que vale a pena conhecer para uma melhor visão de mundo. Fica a dica!

 Sol Caldeira

domingo, 24 de março de 2013

Receita: Vaca Atolada


 De acordo com Ramos (2001:5) “A cozinha Paulista se caracteriza pela simplicidade e rusticidade, como simples e rústica foi  vida dos bandeirantes e de suas famílias”.
 A Vaca Atolada é considerado um prato caipira, popular em Santa Catarina e típica comida mineira e paulista.
 Uma das hipóteses é que quando os tropeiros se dirigiam às áreas de mineração, transpondo a Serra da Mantiqueira, levavam no embornal, carne mergulhada na gordura, o que garantia alimento por muito tempo, sem deteriorar. Principalmente, por causa dos períodos de chuvas, onde o gado encalhava e não prosseguia.  Ao longo da Estrada Real ou de rios, passavam pelas chamadas rotas da mandioca, podendo colher as raízes e misturá-las, cozidas, às carnes. Aí teria nascido a receita que atravessou os séculos.  A receita de Vaca Atolada é tradicionalmente feita com costelas de boi, uma carne que não era aproveitada para compor a comida dos viajantes, e nem servia para fazer o charque ou carne seca. Mas provavelmente, uma outra hipótese, é que seja uma comida preparada após o abate do gado atolado, cozinhando as costelas e sua gordura com pedaços de aipim e cebolas.
A receita tradicional é feita com costela de boi, mas em sua casa pode ser substituída pela carne de preferência. Não é necessário se prender às tradições para realizar uma receita que se quer. Todos podemos usar de criatividade e de fazer releituras do que já existe.
Vaca Atolada:
Ingredientes para 4 pessoas:
1kg de costela de vaca, sal e pimenta do reino, 2 dentes de alho amassados, cominho, 1 suco de limão, 1 pimenta malagueta, 1 folha de louro, 1 xícara de chá de óleo, 1 cebola picada, 1 tomate picado sem pele, ½ kg de mandioca, 1 maço de cheiro verde picado.
Modo de preparo: Corte as costelas em pedaços e tempere com sal, pimenta do reino, o alho, o cominho, o limão, a pimenta malagueta e o louro. Deixe tomar gosto durante cerca de 2 horas. Passado esse tempo, aqueça o óleo em uma panela e doure a cebola. Junte o tomate, a costela e um pouco de água e deixe cozinhar por 30 mins. Enquanto isso descasque a mandioca, corte-a ao meio e elimine o fio duro do miolo. Corte em pedaços e acrescente-os à panela com a costela. Adicione o cheiro verde e mais água e deixe cozinhando por mais 1hora ou até que a carne esteja bem macia e saborosa. Sirva bem quente. (RAMOS, 2001:13)
Referência:
"A Cozinha Paulista"
RAMOS, Regina Helena de Paiva. São Paulo: Melhoramentos., 2001. 58 p.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Engenho Amizade Pura!


Como é bom amizade! Amizade verdadeira é uma preciosidade, se compara com um diamante a ser lapidado. Começa assim em um estado bruto e  ao passar o tempo, com amor, vai se tornando em uma joia. Me sinto uma pessoa rica, com algumas  joias raras colecionadas nesta vida e as ainda por vir.
Assim é a Família Basso para mim, amizade verdadeira e praticamente uma segunda família. E como amigos preciosos nos reunimos de tempos em tempos e sempre algo muito especial acontece.
Em um final de semana ensoralado tivemos um desses encontros “familiares” no Sítio dos Basso, localizado em Saltinho, para uma refeição mais que caseira, um clássico da cozinha brasileira, a vaca atolada (costela de boi cozida com mandioca) no fogão a lenha, acompanhada de arroz, feijão, farofa de banana, salada, tubaína e a cachaça do "Frangão". Deu água na boca?
Vale comentar que Edvaldo Basso, amigo e proprietário do sítio, conhecido como “Frangão” é especialista em produção de cachaça da mais alta qualidade. Tendo em seu depósito cachaça branca, no carvalho, de canela e de erva-doce.  Para quem entende do assunto ele conseguiu um produto tão bom que é apropriado para exportação.
Foi uma tarde maravilhosa em que pudemos registrar para a posteridade!


segunda-feira, 18 de março de 2013

Sustentabilidade na Cozinha

Opinião
Vou falar da minha própria experiência, como Chef de cozinha. Claro que seria o ideal podermos ter todo processo operacional baseado na sustentabilidadem, desde receber produtos orgânicos para se trabalhar, reciclar tudo, e ter zero de desperdício, mas a realidade não é bem assim na maioria das cozinhas. São vários os fatores que influenciam as tomadas de decisões necessárias para o funcionamento do processo.
Comecemos com produtos orgânicos. Um fator é o preço mais elevados, o que torna mais difícil seu uso. Outro fator relaciona-se ao fornecimento desses produtos. Há cozinhas que por seu tamanho dependem de produtos hortifrutigranjeiros frescos no período da manhã como à tarde, não podendo correr riscos da falta do produtos ou do fornecedor não atender a demanda. Além disso, deve-se considerar que se os preços dos produtos orgânicos fossem menores, teriam os produtores condições de atender a demanda? Consequentemente, a sustentabilidade, dada pelo uso dos produtos orgânicos, ainda fica para alguns privilegiados. Se você é mais exigente, poderá pelo menos verificar como os produtores trabalham com relação ao adequado manejo do solo, ciclos de culturas, mão de obra qualificada e sistema de produção, para atender os objetivos da cozinha com o atendimento aos anseios dos clientes durante todo o ano.
Outro aspecto a considerar é a reciclagem, sendo a mesma uma realidade mais próxima e possível de ser aplicada, porém não de forma absoluta, uma vez que a cozinha não está livre de causar alguns danos para a natureza. Usamos detergentes e produtos de limpeza e fica difícil ou quase impossível trabalhar sem esses produtos, para que a cozinha se apresente limpa. O óleo usado nas frituras, por exemplo, pode ser reciclado através de parcerias com empresas idôneas e especializadas neste tipo de serviço.
Agora, todos os materiais descartáveis, popularmente chamados de lixo, podem ser reciclados, devendo a cozinha ter recipientes próprios para o descarte, separando os metais, plásticos, vidros, papéis e materiais orgânicos derivados do preparo e consumo dos alimentos. Há que se lembrar de que você tem que checar as coletas desses materiais, como ela é feita, senão você recicla dentro, mas fora não dá em nada. É natural que para conseguir um bom resultado para a sustentabilidade tem que contar também com a orientação e educação dos colaboradores da casa. E isso é função do Chef ou outro responsável.
Evitar o desperdício de alimentos é outro fator e isso depende muito da consciência e criatividade dos Chefs. É necessário criar um método de reciclagem com todos os ingredientes que se possui na cozinha. Por exemplo, sobras de produtos não utilizados sempre podem se tornar um prato novo para funcionários. E até cascas e talos de legumes podem ser usados para caldos, sopas, e o que a criatividade despertar. Desperdício zero nunca vai ser realidade, pois, sempre algo se perde, mas chegar próximo a isso é uma obrigação de todos nós!
Sol Caldeira

domingo, 17 de março de 2013

sábado, 16 de março de 2013

Pensar, Ser e Realizar!

Uma Reflexão 
Pensar
Penso logo existo!
Uma das regras na prática da meditação é o não pensar. Quer dizer, o não pensar para existir? Gosto do não pensar. Dá uma sensação de plenitude. Mas o que fazer com o pensar? Ele é inquieto. A boa notícia é que não preciso pensar o que você pensa, e o outro não precisa pensar o que eu penso. Não existe regra para o pensamento, ele é livre, talvez a única liberdade real que temos, pois é o único da imaginação de cada um. Penso logo existo! Não penso, logo, para existir!
 Ser
Ser ou não ser?
Eu quero ser!O que exatamente eu quero ser? Me pergunto! Já quis ser tanta coisa. Falta de opção é o que não falta, não é?! Engraçado isso, com tantas opções e são tantas as indecisões. Me parece que quanto mais opções, mais indecisões temos. O mundo está assim agora, mais informatizado, mais globalizado e mais NÃO SER.
FALTA SER E REALIZAR!
 Sol Caldeira